quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Então é Natal - Um Conto de Natal (Curta Metragem)

Um musical de Natal criado em animação stop frame com vocais de James Corden. Ele conta a história de Dave, um pai dedicado e dedicado, que percebe que o maior presente que ele pode dar às pessoas neste Natal é a hora dele.
Quando a primeira neve cai, encontramos nosso herói Dave preso no turbilhão de Natal - tudo o que ele quer fazer é chegar em casa para passar um tempo com sua família, mas todos os tipos de deveres e calamidades de Natal estão atrapalhando. Isso é até que ele vê um homem de gengibre na mesa de cabeceira de sua filha que eles fizeram para se parecer com ele. Isso lhe dá uma genial onda cerebral...





sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Então é Natal - Na Manjedoura (Clarice Lispector)


Na Manjedoura

Na manjedoura estava calmo e bom. Era de tardinha e ainda não se via a estrela-guia. Por enquanto a alegria serena de um nascimento — que sempre renova o mundo e o faz começar pela primeira vez — por enquanto a alegria suave pertencia apenas a uma pequena família humilde. Alguns outros sentiam que algo acontecia na terra, mas ver, ninguém via ou ao certo sabia. Na tarde já escurecida, na palha cor de ouro, tenro como um cordeiro, refulgia o menino, tenro como o nosso filho. Bem dè perto a cara de um boi e outra de jumento olhavam. E esquentavam o ar ‘com o hálito do corpo. Era depois do parto, e tudo, úmido repousava, tudo úmido e morno respirava. Maria descansava o corpo cansado — sua tarefa no mundo e diante dos povos e de Deus seria a de cumprir o seu destino, e ela agora repousava e olhava a criança doce. José de longas barbas, ali sentado, meditava, apoiado no seu cajado: seu destino, que era o de entender, se realizara. 

O destino da criança era o de nascer. Ouvia-se como se fosse no meio da noite calada, aquela música de ar que cada um de nós já ouviu e de que é feito o silêncio. Era extremamente doce e sem melodia, mas feita de sons que poderiam se organizar em melodia. Flutuante, ininterrupta. Os sons como quinze mil estrelas. A pequena família captava a mais primária vibração do ar — como se o silêncio falasse. O silêncio do Deus grande falava. Era de um agudo suave, constante, sem arestas, todo atravessado por sons horizontais e oblíquos. Milhares de ressonâncias tinham a mesma altura e a mesma intensidade, a mesma ausência de pressa, noite feliz, noite sagrada. 

E o destino dos bichos ali se fazia e refazia: o de amar sem saber que amavam. A doçura dos brutos compreendia a inocência dos meninos. E, antes dos reis, presenteavam o nascido com o que possuíam: o olhar grande que eles têm e a tepidez do ventre que eles são. 

Este menino, que renasce em cada criança nascida, iria querer que fôssemos fraternos diante da nossa condição e diante de Deus. O menino iria se tornar homem e falaria. 

Hoje em muitas casas do mundo nasce um Menino. 

E, como se não bastasse, espouca no ar como champanhe o borbulhante Ano Novo.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Então é Natal - Poema de Natal (Vinícius de Moraes) - Vídeo



Poema de natal

Para isso fomos feitos
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra
Assim será a nossa vida
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve
Ver a noite dormir em silêncio
Não há muito o que dizer
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações se deixem
Graves e simples
Pois para isso fomos feitos
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte
De repente nunca mais esperaremos
Hoje a noite é jovem
Da morte, apenas nascemos
Imensamente

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Então é Natal - Tudo Tão Vago


"Se alguém te perguntar o quiseste dizer com um poema, pergunta-lhe o que Deus quis dizer com este mundo..." ( Mario Quintana)
O próprio Mário Quintana diz que não se deve analisar suas poesia, mas... A sua poesia narra suas lembranças da infância, sempre associada ao tempo que já passou, com uma nostalgia ao tempo passado. Seus temas são o misticismo (nossa Senhora e o menino Jesus) falando da pureza, do aconchego, do carinho. Ele olha o rio e vê através de um olhar saudosita e melancólico que ele já adulto, sua vida jamais será resgatada e revivida. O eu-poético pode apenas rememorar e reviver as suas lembranças:
"e ia purificando como um rio o meu coração que ENEGRECERA tanto"

Tudo Tão Vago 
Mário Quintana 

Nossa Senhora
Na beira do rio
Lavando os paninhos
Do bento filhinho
São João estendia
São José enxugava
E o menino chorava
Do frio que fazia
Dorme criança
Dorme meu amor
Que a faca que corta
Dá talho sem dor

(de uma cantiga de ninar)

Tudo tão vago… Sei que havia um rio…
Um choro aflito… Alguém cantou, no entanto…
E ao monótono embalo do acalanto
O choro pouco a pouco se extinguiu…

O Menino dormira… Mas o canto
Natural como as águas prosseguiu…
E ia purificando como um rio
Meu coração que enegrecera tanto…

E era a voz que eu ouvi em pequenino…
E era Maria, junto à correnteza
Lavando as roupas de Jesus Menino…

Eras tu… que ao me ver neste abandono,
Daí do Céu cantavas com certeza
Para embalar inda uma vez meu sono!…


sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Então é Natal - Papai Noel às Avessas


O poema “Papai Noel às Avessas” apresenta um Papai Noel “torto", que entra pelos fundos, rouba os brinquedos das crianças adormecidas, vive num mundo torto, avesso, marcado pelas relações burguesas de aparências, que se caracterizam pelo desencontro, pelos obstáculos e afastamentos:

Papai Noel às Avessas
Carlos Drummond de Andrade

Papai Noel entrou pela porta dos fundos
(no Brasil as chaminés não são praticáveis),
entrou cauteloso que nem marido depois da farra.
Tateando na escuridão torceu o comutador
e a eletricidade bateu nas coisas resignadas,
coisas que continuavam coisas no mistério do Natal.
Papai Noel explorou a cozinha com olhos espertos,
achou um queijo e comeu.

Depois tirou do bolso um cigarro que não quis acender.
Teve medo talvez de pegar fogo nas barbas postiças
(no Brasil os Papai-Noéis são todos de cara raspada)
e avançou pelo corredor branco de luar.
Aquele quarto é o das crianças
Papai entrou compenetrado.

Os meninos dormiam sonhando outros natais muito mais lindos
mas os sapatos deles estavam cheinhos de brinquedos
soldados mulheres elefantes navios
e um presidente de república de celulóide.

Papai Noel agachou-se e recolheu aquilo tudo
no interminável lenço vermelho de alcobaça.
Fez a trouxa e deu o nó, mas apertou tanto
que lá dentro mulheres elefantes soldados presidente brigavam por causa do aperto.

Os pequenos continuavam dormindo.
Longe um galo comunicou o nascimento de Cristo.
Papai Noel voltou de manso para a cozinha,
apagou a luz, saiu pela porta dos fundos.

Na horta, o luar de Natal abençoava os legumes.

Este poema foi publicado no livro “Alguma Poesia”, Editora Pindorama, em 1930, primeiro livro do autor. Texto extraído de “Nova Reunião”, Livraria José Olympio Editora – Rio de Janeiro, 1983, pág. 24.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Então é Natal - Organiza o Natal

Uma crônica de Drummond para vocês...


Organiza Natal

Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal.

É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito.

E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.

Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon - sem cortinas.

Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade.

Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.

Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio.

O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso.

A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.

A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.


A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.

Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.

O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido.

Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.

Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.

A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.

O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.

E será Natal para sempre.

Ah! Seria ótimo se os sonhos do poeta se transformassem em realidade.



(Carlos Drummond de Andrade - Texto extraído do livro "Cadeira de Balanço")

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Um novo Projeto nascendo...

Então é Natal!



Para darmos início a esse Projeto, hoje postarei o conto "Milagre do Natal", de Lima Barreto, sugerido pela Professora Joelma, de Língua Portuguesa, inclusive já trabalhado nas 3ª Séries!

Presenciamos no conto o triângulo amoroso entre Simplício, Mariazinha (filha do casal Feliciano e Sebastiana) e Guaicuru. Também podemos encontrar vários dos assuntos que Lima Barreto sempre aborda em seus textos, como a mania que os brasileiros têm em fazer parte da elite, burocracia indevida e casamento por interesse.


E você, tem sugestões? Quer publicar algo de sua autoria no Blog? É só nos procurar, como está escrito no folder do evento! 😉