sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Semana de Leituras Sugeridas pelo CMSP - O Alienista


Repleta de um tom humorístico e irônico, 
O Alienista de Machado de Assis possui um narrador onisciente.
Narrado em terceira pessoa, o livro revela a dedicação do Doutor Simão que, na verdade, fica obcecado com seus estudos na área de psiquiatria.
Além disso, ele aborda os temas dos interesses políticos, da ambição e do poder na figura de Porfírio. Para atingir seu objetivo, esse personagem acaba por ceder e se juntar ao alienista.
A crítica social e a análise psicológica das personagens revelam a fase realista de Machado de Assis.
O comportamento, as atitudes, os interesses, as relações sociais e o egoísmo humano são colocados em pauta. A loucura e a sanidade apresentam uma linha tênue na visão do autor.
Para alguns, essa obra é considerada um conto, para outros, ela contém a estrutura narrativa e as características de uma novela.

Personagens

Os principais personagens da obra são:

Simão Bacamarte: médico renomado e protagonista da obra.

D. Evarista: viúva e mulher de Simão.

Galvão: vereador da cidade.

Costa: homem considerado louco pelo alienista.

Porfírio: barbeiro da cidade, interessado na carreira política.

João Pina: outro barbeiro da cidade.

Crispim Soares: amigo de Simão e boticário da cidade.

Padre Lopes: Vigário da cidade

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Semana de Leituras Sugeridas pelo CMSP - O Seminarista




O SEMINARISTA, DE BERNARDO GUIMARÃES

Publicado em 1872, O Seminarista é romance de linha pastoril na tradição da escola romântica. O autor recebe influência de Alexandre Herculano. É o “monasticon” brasileiro: romance contra o celibato clerical e a vocação forçada. Apesar das peripécias folhetinescas, tem um marcado substrato de Naturalismo e é, sob vários aspectos, precursor deste movimento, ao basear a caracterização das personagens nos fatores do meio e na constituição psicofisiológica. Bernardo Guimarães fala de Minas Gerais e Goiás, misturando a idealização romântica com elementos tomados da narrativa oral, na base do “contador de causos e de histórias” por ser adjetivosa e convencional, mereceu de Monteiro Lobato, outro “contador de causas”, a critica’que transcrevemos: “Ler Bernardo Guimarães é ir para o mato, para a roça, mas uma roça adjetivada por menina do Sião, onde os prados são amenos, os vergéis floridos, os rios caudalosos, as matas viridentes, os píncaros altíssimos, os sabiás sonoros e as rolinhas meigas. Bernardo falsifica o nosso mato“.

Nesta obra Bernardo Guimarães faz um típico romance de tese, querendo provar o equívoco do celibato religioso, que deforma o homem, e do autoritarismo familiar, que não permite ao jovem seu próprio caminho na vida. A obra trata de diferenças sociais e preceitos morais, bem ao gosto do autor de A Escrava Isaura.

Apesar de sua dimensão melodramática, o romance apresenta uma das mais veementes críticas ao patriarcalismo, em toda a literatura do século XIX.

Enredo

Ambientado no interior de Minas Gerais, O seminarista narra o drama de Eugênio e Margarida, que, na infância, passada no sertão mineiro, estabelecem uma amizade que logo vira paixão. O pai de Eugênio, indiferente aos sentimentos do filho, o obriga a ir para um seminário. Dilacerado entre o amor e a religiosidade, Eugênio segue para o mosteiro.

Embora todo o sofrimento da perda amorosa, o jovem dedica-se à vida espiritual e acaba se ordenando sacerdote. Volta então à aldeia natal para rezar a sua primeira missa. Lá encontra a sua antiga paixão, Margarida, que está à beira da morte. Os dois não resistem ao impulso afetivo e mantêm relações. Em seguida, a heroína morre. Eugênio, ao saber da notícia, pouco antes de iniciar a missa, enlouquece de dor afetiva e moral, tanto pelo desaparecimento da amada quanto pela quebra do voto de castidade.

Eugênio e Margarida são vitimas da arrogância e dos preconceitos de uma época que os faz viver tão tragicamente como Romeu e Julieta.

Fonte: Passei Web

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Semana de Leituras Sugeridas pelo CMSP - Coração Cabeça e Estômago


Lançado no final do século XIX, “Coração, Cabeça e Estômago”, do português Camilo Castelo Branco, pertence ao romantismo, mas chega a sofrer alguma influência do então incipiente realismo literário. Isso traz originalidade à obra e uma parcela de crítica social.

O contexto histórico do livro se dá no momento da segunda revolução industrial. Ocasião em que a sociedade estava perdendo o idealismo da revolução francesa, que trouxera perspectivas de um mundo mais justo. A desilusão acontece em função do avanço dos interesses comerciais que o modo de vida burguês estabelece. “O sonho acaba se perdendo quando a sociedade passa a visar cada vez mais à produção e ao lucro e torna o ser humano quase que objetificado.”

Esse desapontamento é verificado com facilidade na terceira parte do livro: Estômago. Nela, o protagonista da história, Silvestre Silva, encontra a satisfação que até então não percebera quando tentou valorizar, primeiramente, o lado emocional e, na sequência, o cerebral. “O Silvestre cede a esse tipo de vida, se acomoda e aceita essa nova realidade, até que acaba morrendo em consequência dos hábitos alimentares desregrados.”

E possível ver nas relações entre aquela sociedade do final do século XIX e os dias de hoje um possível caminho para as questões dos vestibulares. Nesse sentido, atualmente, “parece que esgotamos aquilo que a experiência emocional humana pode nos trazer em termos de satisfação e que há um colapso das teorias, do racionalismo. Isso tem levado as pessoas a um desenvolvimento ultra narcisista, em que, predominantemente, exploram suas próprias imagens.”

“Coração, Cabeça e Estômago” traz a história de sete mulheres que foram namoradas do protagonista, por meio de anotações deixadas por ele, num recurso de metalinguagem. No enredo, essas narrativas se tornam públicas após a morte de Silvestre, a partir de um amigo e editor que organiza os textos e os transforma em livro.
Fonte: Instituto Claro

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Mais um Ano se encerra...


Receita de ano novo
Carlos Drummond de Andrade


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Então é Natal - O que fizeram do Natal (Carlos Drummond)

 


O que fizeram do Natal
Carlos Drummond de Andrade

Natal. O sino longe toca fino. Não tem neves, não tem gelos. Natal. Já nasceu o deus menino. As beatas foram ver, encontraram o coitadinho (Natal) mãos o boi mais o burrinho e lá em cima a estrelinha alumiando Natal. As beatas ajoelharam e adoraram o deus nuzinho mas as filhas das beatas e os namorados das filhas, mas as filhas das beatas foram dançar black-bottom nos clubes sem presépio.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Então é Natal - Cordel de Natal e Vídeo (Bráulio Bessa)



Cordel de Natal – Bráulio Bessa

Que você, nesse Natal,
entenda o real sentido
da data em que veio ao mundo
um homem bom, destemido
e que o dono da festa
não possa ser esquecido.

Vindo lá do Polo Norte
num trenó cheio de luz
Papai Noel é lembrado
muito mais do que Jesus.
Ô balança incoerente
onde um saco de presente
pesa mais que uma cruz.

Sei que dar presente é bom
mas bom mesmo é ser presente
ser amigo, ser parceiro
ser o abraço mais quente
permitir que nossos olhos
não enxerguem só a gente.

Que você, nesse momento,
faça uma reflexão
independente de crença,
de fé, de religião
pratique o bem sem parar
pois não adianta orar
se não existe ação.

Alimente um faminto
que vive no meio da rua,
agasalhe um indigente
coberto só pela lua,
sua parte é ajudar
e o mundo pode mudar
cada um fazendo a sua.

Abrace um desconhecido,
perdoe quem lhe feriu,
se esforce pra reerguer
um amigo que caiu
e tente dar esperança
pra alguém que desistiu.

Convença quem está triste
que vale a pena sorrir,
aconselhe quem parou
que ainda dá pra seguir,
e pr’aquele que errou
dá tempo de corrigir.

Faça o bem por qualquer um
sem perguntar o porquê,
parece fora de moda
soa meio que clichê,
mas quando se ajuda alguém
o ajudado é você.

Que você possa ser bom
começando de janeiro
e que esse sentimento
seja firme e verdadeiro.
Que você viva o Natal
todo ano, o ano inteiro.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Então é Natal - Natal Todo Dia (Música)


Natal Todo Dia - Roupa Nova
 
Um clima de sonho se espalha no ar 
Pessoas se olham com brilho no olhar 
A gente já sente chegando o Natal 

É tempo de amor, todo mundo é igual 
Os velhos amigos irão se abraçar 
Os desconhecidos irão se falar 
E quem for criança vai olhar pro céu 
Fazendo pedido pro velho Noel 

Se a gente é capaz de espalhar alegria 
Se a gente é capaz de toda essa magia 
Eu tenho certeza que a gente podia 
Fazer com que fosse Natal todo dia 

Se a gente é capaz de espalhar alegria 
Se a gente é capaz de toda essa magia 
Eu tenho certeza que a gente podia 
Fazer com que fosse Natal todo dia 

Um jeito mais manso de ser e falar 
Mais calma, mais tempo pra gente se dar 
Me diz porque só no Natal é assim 
Que bom se ele nunca tivesse mais fim 

Que o Natal comece no seu coração 
Que seja pra todos, sem ter distinção 
Um gesto, um sorriso, um abraço, o que for 
O melhor presente é sempre o amor